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sábado, 18 de julho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

A Luta pela Terra

"Retrato de criança no assentamento de Barra do Onça,
próximo ao município de São Francisco de Canidé. Aí, 102
famílias conseguiram há alguns anos suas parcelas individuais
de terra e possuem em comum 850 vacas leiteiras, cuja produção
diária ultrapassa os 5 mil litros. É a maior unidade do sector
em Sergipe e a única em que se fazem duas ordenhas por dia.
Sergipe, 1996."
 
"Existem dezenas de milhares de famílias brasileiras que vivem em acampamentos à beira das estradas em vários pontos do país. São famílias de sem-terra que aos poucos vão-se juntando e formando verdadeiras cidades, às vezes com uma população de mais de 10 mil habitantes.
As condições de vida são as mais rudimentares; falta tudo: água, alimentação, instalações sanitárias, escola para as crianças, assistência médica, etc. Além disso, essas pessoas vivem em grande insegurança, sujeitas às provocações e violências por parte dos jagunços e outras forças de repressão organizadas pelos latifundiários, que temem a ocupação de suas propriedades improdutivas. A situação nessas "cidades" é de facto pior que a dos campos de refugiados na África, pois os sem-terra não contam com a protecção das autoridades, não recebem assistência institucional e nenhuma organização humanitária ou a Organização das Nações Unidas lhes presta socorro.
Seja como for, os deserdados da terra alimentam a esperança de melhores dias. E uma coisa é certa: não querem mais fugir para as cidades, que já não podem absorvê-los, dar-lhes trabalho e condições dignas de vida. Preferem, pois, resguardando-se das ameaças da delinquência e da prostituição dos grandes centros urbanos, permanecer nos acampamentos à margem das estradas e esperar pela oportunidade de ocupar a terra tão sonhada, mesmo correndo risco de vida. Seus projectos são idênticos: lavrar um pedaço de terra finalmente seu, construir uma casa para a família, assegurar o sustento desta e, por meio da cooperativa a ser criada, comercializar os excedentes de sua produção agrícola, garantindo a manutenção de escola para os filhos. É esse, em síntese, o sonho comum dos sem-terra."

"Terra" de Sebastião Salgado

Brejo da Cruz

"Retrato de menina sem-terra à margem da rodovia estadual PR-158,
que liga Laranjeiras do Sul a Chopinzinho, no Paraná.
Aí estão reunidas, há vários meses, mais de 3 mil famílias à
espera da ocupação das terras. Paraná, 1996."


"A novidade
que tem no Brejo da Cruz
é a criançada
se alimentar de luz
 
Alucinados
meninos ficando azuis
e desencarnando
lá no Brejo da Cruz
 
Eletrizados
cruzam os céus do Brasil
na rodoviária
assumem formas mil
 
Uns vendem fumo
tem uns que viram Jesus
muito sanfoneiro
cego tocando blues
 
Uns têm saudade
e dançam maracatus
uns atiram pedra
outros passeiam nus
 
Mas há milhões desses seres
que se disfarçam tão bem
que ninguém pergunta
de onde essa gente vem
 
São jardineiros
guardas-noturnos, casais
são passageiros
bombeiros e babás
 
Já nem se lembram
que existe um Brejo da Cruz
que eram crianças
e que comiam luz
 
São faxineiros
balançam nas construções
são bilheteiras
baleiros e garçons
 
Já nem se lembram
que existe um Brejo da Cruz
que eram crianças
e que comiam luz."

Chico Buarque


Fotografia de Sebastião Salgado em "Terra"

domingo, 24 de maio de 2015

Chá, Ruanda

"Colheita de folhas numa plantação perto de Cyangugu, que produz um chá de alta qualidade. Ruanda, 1991"

"Colheita de chá na plantação de uma aldeia, onde os habitantes recebem plantas novas, que fazem crescer no seu próprio terreno. Os aldeãos cuidam dessas plantações sem auxílio do governo e vendem a colheita a fábricas estatais. Mais de metade do chá do Ruanda é produzida por essas pequenas mas numerosas plantações. Ruanda, 1991"
 
 
"A produção do chá no Ruanda é uma actividade relativamente recente. As primeiras plantações ficaram numa área próxima das fronteiras do Uganda e do Congo Belga (actual Zaire), e dependeram do investimento privado nos anos 40. Na década seguinte, deu-se o desenvolvimento de plantações na direcção do sul do lago Kivu, perto da cidade de Cyangugu.
 
Os terrenos do chá são próprios para plantações nas melhores condições ecológicas, acima da «cintura do café», nos montes mais elevados do planalto central, e nos contrafortes da cordilheira Congo/Nilo, bem como nos pântanos a grande altitude. O Ruanda é um dos poucos países a usar pauis para plantar chá e o resultado é uma produção maior, embora os ditos pauis exijam mais cuidados do que as outras regiões de cultivo.
(...)
 
O desenvolvimento da produção do chá foi uma consequência da necessidade de diversificar, para libertar o país de uma exportação de monocultura - o café - e para ajudar a criar postos de trabalho para os mais pobres do Ruanda; a indústria do chá emprega 15.000 pessoas.
(...)
 
Considerado um dos melhores do mundo, o chá ruandiano é exportado principalmente para Inglaterra, Irlanda, Paquistão, Estados Unidos e Emirados Árabes. Muitas vezes utiliza-se para enriquecer chás vendidos internacionalmente com outras etiquetas - e preços mais altos."
 

Sebastião Salgado em "Trabalho"

sexta-feira, 12 de setembro de 2014