segunda-feira, 24 de junho de 2013

BS

"São sempre cataclismos do cosmos as grandes angústias da nossa alma. Quando nos chegam, em torno a. Nós se erra o sol e se perturbam as estrelas. Em toda a alma que sente chega o dia em que o Destino nela representa um apocalipse de angústia - um entornar dos céus e dos mundos todos sobre a sua desconsolação.
Sentir-se superior e ver-se tratado pelo Destino como inferior aos ínfimos - quem pode vangloriar-se de estar homem em tal situação.
Se eu um dia pudesse adquirir um rasgo tão grande de expressão, que concentrasse toda a arte em mim, escreveria uma apoteose do sono. Não sei de prazer maior, em toda a minha vida, que poder dormir. O apagamento integral da vida e da alma, o afastamento completo de tudo quanto é seres e gente, a noite sem memória nem ilusão, o não ter passado nem futuro ..."

Bernardo Soares

domingo, 23 de junho de 2013

Camille Claudel 1915

 


"Camille Claudel 1915
de Bruno Dumont (França)
com Juliette Binoche, Jean-Luc Vincent, Robert Leroy
Drama/Biografia
Duração: 93'

Sinopse:
Inverno de 1915. Confinada pela sua família a um asilo no Sul de França onde nunca mais irá esculpir. Esta é a crónica da vida em reclusão de Camille Claudel, enquanto aguarda a visita do seu irmão, Paul Claudel."





 
No mínimo intrigante o caso da escultora Camille Claudel (irmã do escritor Paul Claudel e amante de Auguste Rodin) internada pela família numa instituição psiquiátrica por alegada doença paranoide ou esquizofrénica.


Intrigante pela racionalidade e algum equilíbrio patentes nas atitudes da artista que chega inclusivamente a ajudar a tomar conta de outros pacientes, esses sim doentes mentais profundos.
Assistimos à sua afectividade para com alguns, a expressões de ternura enquanto assiste a um ensaio de teatro terapêutico mas também a surtos de ira (padecia realmente de uma paranoia relativamente a um medo de ser envenenada através da alimentação) ou de melancolia.


De facto, não deixa de ser estranho o comportamento do irmão (Paul Claudel) que insiste no seu internamento, quando a própria equipa médica era de opinião que Camille poderia regressar ao trabalho e ter uma vida independente.
Inveja do talento da irmã? Uma forma de punição? Ou seria ele não mais que um cristão fanático agrilhoado por aquilo que o Homem tantas vezes e tão hipocritamente apregoa em nome de Deus?
Quem seria realmente "louco"? Paul ou Camille?


O filme é magnífico! Não só por mais uma interpretação avassaladora de Binoche mas também pela plenitude e densidade emocional do silêncio que impera nas cenas. Algumas a fazerem lembrar o barroco do pintor holandês Vermeer!
Apesar de gostar de diálogos inteligentes e corrosivos como os de "O Deus da Carnificina" de Roman Polanski ou "O Eterno Marido" de Dostoiévski, não posso deixar de realçar a intensidade dos monólogos desta pequena obra-prima de Dumont!
E neste ponto recordo Henry Miller quando escreveu: "Gosto ainda mais do monólogo do que do dueto, quando é bom. É como observar um homem a escrever um livro expressamente para nós: ele escreve-o, lê-o alto, representa-o, revê-o, saboreia-o, deleita-se com ele, deleita-se com o nosso deleite e depois rasga-o e lança-o ao vento. É um desempenho sublime, porque enquanto o faz nós somos Deus para ele - a não ser que sejamos uns idiotas insensíveis e impacientes. Mas neste caso o tipo de monólogo a que me refiro nunca acontece."


Vejam aqui o trailer:


Uma prova desportiva por mês não sabe o bem que lhe fazia

 
 
Hoje de manhã, a caminho do Virgin, passei por uma prova de atletismo! Era o Grande Prémio da Ribeira da Laje, integrado no Troféu CMO - Corrida das Localidades! Lá bateu aquela nostalgia dos bons tempos em que praticamente todos os fds participava numa prova desportiva! Saudades dos 5 kms de águas abertas na Barragem do Alqueva, em Abrantes, em Sines, Sesimbra! Do convívio!  Daquela que é para mim a família dos nadadores dos Estoris. Das corridas ...
Palavra de honra que às vezes não me reconheço nesta irregularidade de treinos que tem grassado nos últimos tempos! Não tem sido fácil conciliar trabalho, formação e estudos com os treinos e consequentemente as provas!
Mas isto tem que mudar e vai mudar! O desporto é parte integrante da minha vida! É intrínseco à minha maneira de ser! Não é uma obrigatoriedade ou algo que coloca na "linha" valores de colesterol ou gordurinhas a mais! É quase que uma necessidade que me transcende! E tenho dito!
Bem, posto isto, decidi reservar um dia por mês para as provas desportivas! Venham as corridas, triatlos, aquatlos, águas abertas, whatever! Tudo o que dê para descarregar esta energia imensa de um Sol em Carneiro! :)
Assim, e um pouco à semelhança do que já existe por aí (e muito bem) relativamente aos livros e ao cinema decidi instituir o lema "Uma prova desportiva por mês não sabe o bem que lhe fazia"!
E começa já em Setembro, mais concretamente no dia 14, com o Swim Challenge em Cascais! Ainda aguardo pela publicação do regulamento mas estou a pensar participar no aquatlo! E é tão bom "aquatlar" em casa! :)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vespas ... uma retrospectiva de 1943 a 2013!


Vivem em nós inúmeros

"Vivem em nós inúmeros
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se senta ou pensa.
 
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
 
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu´escrevo."
 
Ricardo Reis
 
“The biggest pipe in the world naturally comes from America. The pipe was produced for the National Tobacco Celebration which takes place every year in South Boston. Two girls find ample space in the pipe´s head.”
 
Visto aqui!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Da árdua tarefa da (re)educação de um paladar demasiado habituado a (quase) tudo o que seja extremamente yin.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Lá porque uma pessoa tem um pensamento mágico/místico numa área de vida não significa que não tenha um funcionamento racional nas restantes. Capisce?

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Nietzsche, o "filósofo punk"


 
3:26 a 3.59: "Penso que Nietzsche é o primeiro grande filósofo punk. Eu o imagino no Panteão com um piercing no nariz com dois dedos apontados na direcção do Panteão filosófico. E isso, paradoxalmente, é um aspecto positivo. Apesar de seu niilismo mais aparente, ele é o filósofo mais afirmativo porque nos incita a pensar por nós mesmos. A sua filosofia não é um guia para quem pensa como ele. É um guia para quem pensa por si mesmo."
 
33:13: "A humanidade é algo que deve ser superado. Nietzsche propõe o ideal de superar-se a si mesmo. Um ideal que ele chama de «o além do homem.» Não como um recurso metafísico além da humanidade, mas dentro das possibilidades humanas. Como podemos nós, humanos, transcendermos a nós mesmos?"

domingo, 13 de maio de 2012

Inteligência de uma sociedade em transmutação

A sociedade e o modo como a inteligência do ser humano é percepcionada estão em permanente mutação.
Na Era em que actualmente vivemos, a Era da Informação ou do Conhecimento, o conceito de transdisciplinaridade ou diálogos com outras formas de conhecimento é cada vez mais uma realidade.
Apesar de estarmos inseridos numa sociedade caracterizada por uma crescente automatização e padronização, não deixa de ser curioso o seu interesse cada vez maior relativamente à inteligência espiritual ou inteligência da alma. Uma inteligência capaz de unificar dados no cérebro permitindo uma visão integrativa e holística.
Sabe-se mesmo que actualmente, empresas como a Nokia ou a Hewlett-Packard encontram-se a estudar modelos de desenvolvimento que possibilitem medir a mesma.
Reflectindo um pouco sobre o assunto, o que diferencia o material do espiritual resume-se a diferentes níveis de energia, de frequências vibratórias.
Não apenas sinto como também tudo indica que este novo conceito caminhará lado a lado com a tendência de evolução da presente Era da Informação para uma não muito distante Era Conceptual.
Nesta última, certamente que os "consumidores" não se sentirão atraídos por produtos semelhantes e impessoais, fruto da já referenciada padronização e automatização.
Procurarão, sim, ligações entre o design e as novas dimensões da dita sociedade comceptual no mesmo sentido de que também eles, "consumidores", encontram-se num processo de transmutação e evolução.
Optarão por objectos ou serviços nos quais consigam identificar uma espécie de beleza emocional e/ou espiritual e cujas funções sejam simultaneamente detentoras de alguma forma de identidade capaz de combinar ideias aparentemente desvinculadas numa visão unificada!

segunda-feira, 16 de abril de 2012