domingo, 8 de dezembro de 2013

48. Economia da Bondade

"A bondade e o amor, na sua qualidade de ervas medicinais e energias mais benéficas nas relações humanas, são achados tão preciosos que bem se poderia desejar que, na aplicação destes remédios balsâmicos, se procedesse tão economicamente quanto possível. No entanto, isso é impossível. A economia da bondade é o sonho dos utopistas mais ousados."
 
Nietzsche em "Humano, Demasiado Humano"

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

27. Substituto da Religião

"Julga-se dizer algum bem de uma filosofia, quando se a apresenta como um substituto da religião para o povo. De facto, na economia espiritual fazia falta, de quando em quando, uma digressão intelectual transmudante; assim, a passagem da religião para a reflexão científica é um salto violento, perigoso, algo que é de desaconselhar. Até aí, tem-se razão com essa recomendação. Mas, finalmente, devia-se também aprender, contudo, que as carências que a religião satisfez e a filosofia, agora, deve satisfazer, não são imutáveis; pode-se enfraquecer e extirpar essas mesmas necessidades. Basta pensar, por exemplo, no padecimento moral cristão, no suspirar perante a íntima corrupção, a preocupação com a salvação - tudo noções que procedem apenas de erros da razão e não merecem satisfação nenhuma, mas sim aniquilação. Uma filosofia tanto pode ser útil, porque também satisfaz essas carências ou porque elimina as mesmas, pois estas são necessidades aprendidas, limitadas no tempo, que assentam em pressupostos que contrariam os da ciência. Neste caso, para efectuar uma transição, é muito preferível utilizar a arte, a fim de aliviar o ânimo sobrecarregado de emoções, pois, através dela, esses pressupostos são muito menos alimentados do que por intermédio de uma filosofia metafísica. A partir da arte, pode-se, depois, passar mais facilmente para uma ciência filosófica realmente libertadora."

Nietzsche em "Humano, Demasiado Humano"
"Caminhante solitário, não distingo entre os ímpetos e as pressões do meu interior e o concerto de elementos em crescimento fora de mim que com mil vozes me rodeiam.
(...)
O vento alegre e ligeiro afaga-me o rosto, do mesmo modo que faz balançar as anémonas, e ao soprar sobre mim um tropel de recordações como um turbilhão de poeira, ressoa a lembrança da dor e da efemeridade directamente do sangue para a consciência. Pedra com que me deparo no meu caminho, és mais forte do que eu! Árvore no meio do campo, sobreviver-me-ás, e talvez também tu, pequeno ramo de framboesas, e tu também, anémona de laivos róseos.
Na duração de um sopro da respiração sinto, mais profundamente do que alguma vez o sentira, a fugacidade da minha forma e sinto-me atraído para a metamorfose, para as pedras, para a terra, para o ramo da framboesa, para a raiz da árvore. A minha sede agarra-se aos sinais do tempo que passa, à terra e à água e às folhas mortas. Amanhã, depois de amanhã, em breve, não tardarei a ser como tu, serei folha seca, serei terra, raiz, deixarei de escrever palavras no papel, deixarei de poder cheirar os magníficos goiveiros, (...), nado qual nuvem no azul imenso, fluo qual vaga no ribeiro, broto qual folha no arbusto, caio no esquecimento, mergulho numa transformação mil vezes ansiada."
 
Hermann Hesse em "Passeio de Primavera"

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

31. O ilógico é necessário

"Entre as coisas que podem levar um pensador ao desespero figura o reconhecimento de que o ilógico é necessário para os homens e que do ilógico resulta muita coisa boa. Ele está tão firmemente metido nas paixões, na língua, na arte, na religião e, sobretudo, em tudo aquilo que confere valor à vida, que não se pode extraí-lo, sem, com isso, danificar irremediavelmente essas belas coisas. Só as pessoas por de mais ingénuas é que podem acreditar que a natureza humana poderia ser transformada numa natureza puramente lógica; mas se houvesse graus de aproximação a essa meta, então que é que não haveria de perder-se por esse caminho! Até o homem mais racional carece, de vez em quando, outra vez da Natureza, isto é, da sua original posição ilógica relativamente a todas as coisas."
 
Nietzsche em "Humano, Demasiado Humano"

Tinta ou Chocolate?








 
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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

"Van Gogh, O Suicidado da Sociedade" de Antonin Artaud

 
" ... nenhum outro dos seus textos será tão cataclísmico, tão orgástico e solar."

"Em face de uma humanidade de símio cobarde e cão molhado, a pintura de Van Gogh terá sido a de um tempo em que não houve alma, espírito, consciência, pensamento, só elementos primeiros sucessivamente acorrentados e desacorrentados.
Paisagens de convulsões fortes, traumatismos furiosos, como de um corpo que a febre atormenta para levar à saúde exacta."

Antonin Artaud em "Van Gogh, O Suicidado da Sociedade"
"Em todo o demente há um génio incompreendido com uma ideia que lhe luzia na cabeça e meteu medo, e só no delírio pôde achar uma saída para os estrangulamentos que a vida lhe tinha preparado."

Antonin Artaud em "O Suicidado da Sociedade"

terça-feira, 26 de novembro de 2013

"Um louco, Van Gogh?
Quem algum dia soube olhar um rosto humano olhe o retrato de Van Gogh por ele próprio, estou a pensar naquele com chapéu de feltro.
Pintado por Van Gogh extralúcido, essa face de sanguinário ruivo que nos inspeciona e espia, que nos perscruta também com olhar torvo.
Não conheço um só psiquiatra capaz de perscrutar um rosto de homem com tão esmagadora força, e como que a trincho dissecar-lhe a irrefragável psicologia.
O olhar de Van Gogh é de um grande génio mas, pela forma como o vejo dissecar-me do fundo da tela onde surgiu, já não é o génio de um pintor o que sinto agora viver nele, mas de um certo filósofo que nunca, na vida, encontrei.
Não, Sócrates não tinha este olhar, antes dele só o infeliz Nietzsche talvez tivesse este olhar de nos despir a alma, libertar o corpo da alma, pôr a nu o corpo do homem fora dos subterfúgios do espírito.
O olhar de Van Gogh está pendurado, aparafusado, está envidraçado atrás das pálpebras curtas, das sobrancelhas magras e sem ruga nenhuma.
É um olhar que fura a direito, trespassa neste rosto feito a podão como uma árvore bem talhada.
Mas Van Gogh captou o instante em que a íris vai despejar-se no vazio, em que esse olhar, que sai contra nós como a bomba de um meteoro, ganha a cor átona do vazio e do inerte que o preenche."

Antonin Artaud em "Van Gogh, O Suicidado da Sociedade"

Cinemas King (sessão da meia-noite)

 
"Deixa passar oito minutos,
entra já às escuras, segue
o foco da lâmpada na
escuridão. Observa,
se puderes, o travelling
a reflectir-se, trémulo,
em rostos desconhecidos.
Guarda o bilhete rectangular
no bolso do casaco e senta-te
na primeira fila, para que a
vista arda. Depois respira
fundo. Sabes como funciona:
a verdade (e a mentira) em
24 imagens por segundo."
 
José Mário Silva

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"Urban Tree" - Adele & Zalem


 
Simplesmente brutal o último vídeo de Adele & Zalem!
Este duo resulta tão bem, mas tão bem :)
Gosto particularmente de 2:18 a 3:10 e de 4:56 em diante! :))

domingo, 24 de novembro de 2013

192

 
 24.11.2012 (Domingo) ... Body Pump (50').
 
23.11.2013 (Sábado) ... Indoor Cycling (45': média de 172 bpms com picos de 192 e 477 kcals gastas).

22.11.2013 (Sexta-feira) ... Active Ball (30') + Correcção Postural (50').

20.11.2013 (Quarta-feira) ... 60' de corrida (média de 158 bpms com picos de 182 e 584 kcals gastas) + Body Pump (30').


Semana de treinos muito, muito calma! Inflamação do tendão de aquiles assim obrigou! :((

sábado, 23 de novembro de 2013

Prólogo








 
Prologue consiste numa colecção de chás inspirada em clássicos da literatura!
Cada caixa contém folhas com aromas/sabores  que supostamente "caracterizam" as obras em questão.
Além disso, o seu design inclui motivos das narrativas bem como elementos integrantes da experiência de leitura!
Adorei este conceito! :)