sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

No cinema em 1912












"Tudo o que o Poder do Mundo faz é feito num círculo. O céu é redondo, e eu ouvi dizer que a terra é redonda como a bola, e as estrelas também. O vento, em seu maior poder, rodopia. Os pássaros fazem seu ninho em círculos, pois a religião deles é a mesma que a nossa. O sol se levanta e se põe novamente num círculo. A lua faz a mesma coisa, e ambos são redondos. Até as estações formam um grande círculo em suas mudanças, e sempre voltam novamente para onde estavam. A vida de um homem é um círculo da infância até à infância, o mesmo acontecendo com tudo onde o poder se movimenta."    
 
Alce Negro, Xamã Oglala Sioux
(1863-1950)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Art by Cloë










 

O que é uma mandala

"Mandalas são figuras circulares organizadas com base no centro, prendem o olhar e criam sensação de paz. A palavra "mandala" vem do sânscrito e, nas tradições indianas, significa centro e, ao mesmo tempo, circunferência. São conhecidas também como círculo mágico ou círculo sagrado.
Estas imagens circulares aparecem em praticamente todas as culturas, representando a harmonia do cosmos e a energia divina. Muitas mandalas foram criadas como símbolos religiosos e integram rituais de diversas culturas que não têm qualquer ligação temporal ou espacial entre si. Estão presentes nas mais primitivas pinturas rupestres, nas rosáceas e labirintos das catedrais góticas, no hinduísmo e no budismo, na arquitectura, na natureza, nos círculos de amigos, família e comunidade, na vida.
A atração por mandalas é cada vez maior. A visualização das suas cores e formas despertam sentimentos agradáveis. Existe uma grande identificação quando visualizamos ou mesmo quando nos expressamos com formas circulares. É da natureza humana a necessidade do contacto com a totalidade, a busca pelo centro, pela verdade interior. Pode representar a estrutura organizacional da própria vida.
São utilizadas para expressão, meditação, concentração, para aumentar a percepção ou simplesmente aquietar os pensamentos.
A meditação com mandalas é um legado que vem do oriente, um instrumento de concentração. Contemplá-las proporciona calma para a mente, e, mesmo que só por alguns instantes, nos remetem ao nosso próprio centro, revelando a estrutura profunda do nosso espírito.
O ponto principal da mandala é o centro, ao redor do qual o desenho se desenvolve. Esse ponto é o foco, atrai o olhar do observador. O centro é o começo, a origem, o princípio, a fonte de poder, sabedoria e energia da vida. O homem é considerado o microcosmo do macrocosmo, do Universo.
A mandala ficou conhecida, na psicologia moderna pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, como símbolo da unidade, da totalidade da psique ou do Self, que engloba o consciente e inconsciente. Jung descobriu que criar sua própria mandala é abrir um canal para os conteúdos internos, inconscientes e permitir expandir a criatividade, facilitando o caminho de desenvolvimento pessoal. As mandalas pessoais são uma viagem ao interior, espelhos da alma que possibilitam o autoconhecimento, a busca do equilíbrio para uma vida plena com qualidade.
A vibração da mandala está simbolizada na sua geometria sagrada, que revela formas e números, e nas combinações de cores que atraem o homem para contemplação.
Existem algumas variações de mandalas, elas podem estar na natureza, na cultura oriental e ocidental; podem ser criadas espontaneamente ou com uma intenção."

Caroline Mello em "Universo Mandala - A consciência da energia circular"

domingo, 8 de fevereiro de 2015

"Para Platão, a Beleza tem uma existência autónoma, distinta do suporte físico que acidentalmente a exprime; portanto, não está vinculada a este ou àquele objecto sensível, mas brilha por toda a parte.
A Beleza não corresponde ao que se vê."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Pousada da Estação Tamagawa

"Meados do Outono - o vento e a chuva estão agora mais melancólicos que nunca.
Errante, o meu espírito é inseparável deste caminho difícil.
Durante a longa noite, sonhos flutuam na almofada -
De repente acordado, confundi o ruído do rio com a voz da chuva."
 
Ryoken

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"É interessante notar que os cozinheiros dos mosteiros zen eram escolhidos dependendo dos seus êxitos no campo da meditação, pois acreditava-se que a qualidade da energia empregada na feitura da comida se transmitia à comida em si e afectava aqueles que a comiam (uma ideia perturbadora, talvez, especialmente para os frequentadores das cadeias de comida rápida)."

Paramananda em "Guia da Meditação"

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Pinturas Comestíveis

"The Starry Night" by Vincent Van Gogh
Criada com arroz selvagem, massa e uvas
 
"The Persistence of Memory" by Salvador Dali
Criada com sésamo, massa, canela e pão

"Composition with large red plane, yellow, black, gray and blue" by Piet Mondrian
Criada com melancia, chocolate, iogurte e queijo

"Three Sunflowers in a vase" by Vincent Van Gogh
Criada com lentilhas e pimentos

"The Tree of Life" by Gustav Klimt
Criada com diversos legumes e massa

"The Son of Man" by Rene Magritte
Criada com diversos frutos, legumes e arroz

"South Wind, Clear Sky" by Katsushika Hokusai
Criada com arroz, chá e salmão cru


"Several Circles" by Wassily Kandinsky
Criada com diversos frutos silvestres e citrinos
 
Visto aqui !

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A Árvore de Natal

 
"Durante o Natal, a maioria das casas possui uma árvore decorada com cores brilhantes, quer seja verdadeira quer seja artificial. Mas quantos de nós fazemos a mínima ideia do seu significado?
(...)
A Árvore de Natal é decorada com cores brilhantes, para incentivar o regresso do Sol, no Solstício de Inverno - pois o Natal é a antiga festa pagã do Yule, quando o Deus mais uma vez nascia da Deusa.
(...)
A Árvore de Natal foi introduzida na Grã-Bretanha pelo Príncipe Alberto, marido da Rainha Vitória, e tem como origem as celebrações germânicas originalmente pagãs da festa de Yule. A Árvore de Natal evoluiu, com toda a probabilidade, do hábito dos druidas de, durante a festa de Yule, decorar pequenos bosques de pinheiros com luzes e objectos brilhantes. Assim, a luz do Divino é representada por uma árvore a brilhar.
(...)
O conceito da Árvore de Natal pode ter evoluído de uma tradição muito anterior de «árvores da Lua», onde uma árvore ou um pilar com uma Lua crescente no topo era coberta de frutos e de luzes, em celebração da deusa dos céus. No pino do Inverno, quando os ramos estão desnudados e o luar cintila nos topos gelados das árvores, somos relembrados da vida que persiste quando tudo está árido - a luz interior da alma.
Nos nossos tempos é muito mais ecológico utilizar uma pequena árvore viva que podemos mais tarde plantar no jardim, decorar um galho caído ou usarmos uma árvore artificial, pois o simbolismo permanece o mesmo."
 
 
Teresa Moorey  em "A Sabedoria das Árvores"

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

" ... a inteligência, no entanto, tem pouco que ver com a poesia. A poesia brota de algo mais profundo; é anterior à inteligência. Talvez nem sequer esteja ligada à sabedoria. É algo em si mesma; tem a sua própria natureza. Indefinível."
 
Jorge Luis Borges

domingo, 18 de janeiro de 2015

Entrevista a William Faulkner (1897-1962)

 
"Como é que um escritor se torna um romancista sério?
Noventa e nove por cento de talento ... noventa e nove por cento de disciplina ...  noventa e nove por cento de trabalho. Nunca nos podemos dar por satisfeitos com aquilo que fazemos. Nunca nada é tão bom como aquilo de que somos capazes. É preciso sonhar e apontar sempre para mais alto do que aquilo que sabemos poder fazer. Não nos devemos preocupar a tentar ser melhores do que os nossos contemporâneos ou os nossos antecessores. Temos de tentar ser melhores do que nós próprios. Um artista é uma criatura conduzida por demónios. Não sabe porque é escolhida por eles e em geral está demasiado ocupada para se preocupar com isso. É completamente amoral, no sentido em que assalta, pede emprestado, mendiga ou rouba, seja quem for, para conseguir fazer o seu trabalho.
 
 
Então qual será o melhor ambiente para um escritor?
A arte também não se preocupa com o ambiente circundante; não lhe interessa onde está. Se está a referir-se a mim, o melhor emprego que já me ofereceram foi o de gerente de um bordel. Na minha opinião é o ambiente perfeito para um artista poder trabalhar. Dá-lhe a liberdade económica ideal; liberta-o do medo e da fome; ele tem um tecto sobre a cabeça e nada para fazer excepto manter em dia uma contabilidade simples e ir uma vez por mês fazer o pagamento à polícia. O lugar é tranquilo durante a manhã, que é o melhor momento do dia para trabalhar. Há bastante vida social ao fim do dia, se ele quiser participar nela, o que lhe permite não se aborrecer; dá-lhe um certo estatuto social; ele não tem nada para fazer porque a madame trata da escrita da casa; todos os habitantes da casa são mulheres e tratam-no com deferência, chamando-lhe «senhor». Todos os contrabandistas do bairro lhe chamam «senhor». E ele pode tratar os polícias pelo nome próprio.
Portanto, o único ambiente de que o artista precisa é um ambiente com tanta paz, tanto isolamento e tanto prazer quanto o que lhe for possível encontrar a um preço não demasiado alto. Aquilo que um ambiente errado lhe provocará é um aumento da tensão arterial; fá-lo-á perder mais tempo com frustrações e irritações. Por experiência própria percebi que aquilo de que preciso para o meu ofício é papel, tabaco, comida e um pouco de uísque."
 
 
Conversa com Jean Stein (1956)
"Entrevistas da Paris Review" - Selecção e Tradução de Carlos Vaz Marques