terça-feira, 15 de novembro de 2016
sábado, 12 de novembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
"Nunca gostei de horas fixas, de uma existência de relógio, onde tudo é organizado de antemão, durante séculos e gerações. Essa regularidade pode decerto convir à maioria, mas para a pobre criança que se alimenta de poesia, de sonhos e de quimeras, é despertá-la constantemente desse sonho sublime, é não lhe conceder um momento de repouso, é asfixia-la na nossa atmosfera de materialismo e de bom senso, que a horroriza e lhe repugna."
Gustave Flaubert em "Novembro"
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
terça-feira, 1 de novembro de 2016
"Também gostava - e é uma das minhas mais ternas e deliciosas recordações -, de contemplar o mar, ver as vagas espumar umas sobre as outras, a onda quebrar-se em espuma, alongar-se sobre a praia e bramir ao retirar-se sobre as pedras e as conchas.
Corria pelos rochedos, pegava na areia do oceano e deixava-a escorrer ao vento por entre os dedos, molhava algas e aspirava a plenos pulmões o ar salgado e fresco do oceano, que nos enche a alma de tanta energia, de tão vastos e poéticos pensamentos; olhava a imensidão, o espaço, o infinito, e a minha alma perdia-se diante daquele horizonte sem limites."
Gustave Flaubert em "Novembro"
Gustave Flaubert em "Novembro"
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
sábado, 22 de outubro de 2016
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Um poema de Ana Hatherly
"Se eu pudesse dar-te aquilo que não tenho
e que fora de mim jamais se encontra
Se eu pudesse dar-te aquilo com que sonhas
e o que só por mim poderá ter sonhado
Se eu pudesse dar-te o sopro que me foge
e que fora de mim jamais se encontra
Se eu pudesse dar-te aquilo que descubro
e descobrir-te o que de mim se esconde
Então serias aquele que existe
e o que só por mim poderá ter sonhado."
in A Idade da Escrita, Ed. Tema, 1998
e que fora de mim jamais se encontra
Se eu pudesse dar-te aquilo com que sonhas
e o que só por mim poderá ter sonhado
Se eu pudesse dar-te o sopro que me foge
e que fora de mim jamais se encontra
Se eu pudesse dar-te aquilo que descubro
e descobrir-te o que de mim se esconde
Então serias aquele que existe
e o que só por mim poderá ter sonhado."
in A Idade da Escrita, Ed. Tema, 1998
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Um poema de Albano Martins
"A teu lado viajo.
Contigo navego.
Remos são as palavras
que te digo e escrevo.
Contigo navego.
Remos são as palavras
que te digo e escrevo.
Âncoras de ternura
com elas compomos
mastros de espuma.
com elas compomos
mastros de espuma.
Barcos é o que somos."
In Sob os Limos, 1986
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
"Eleva-te acima de qualquer altura;
desce mais fundo que qualquer profundidade;
concentra em ti todas as sensações das coisas criadas;
da Água, do Fogo, do Seco e do Húmido.
Pensa que te encontras simultaneamente em toda a parte:
na terra, no mar e no céu;
pensa que não nasceste nunca, que és ainda embrião:
jovem e velho, morto e além da morte.
Compreende tudo ao mesmo tempo
- os tempos, os lugares, as coisas:
as qualidades e as quantidades."
desce mais fundo que qualquer profundidade;
concentra em ti todas as sensações das coisas criadas;
da Água, do Fogo, do Seco e do Húmido.
Pensa que te encontras simultaneamente em toda a parte:
na terra, no mar e no céu;
pensa que não nasceste nunca, que és ainda embrião:
jovem e velho, morto e além da morte.
Compreende tudo ao mesmo tempo
- os tempos, os lugares, as coisas:
as qualidades e as quantidades."
Hermes Trismegistos
domingo, 16 de outubro de 2016
Um Dia de Sol
"Eu amo as coisas que as crianças amam,
Mas em compreensão funda, acrescida,
Que eleva a minha alma, de anelante,
Mas em compreensão funda, acrescida,
Que eleva a minha alma, de anelante,
Sobre aqueles onde inda dorme a vida
Tudo o que é simples e é brilhante,
Despercebido à mais aguda mente,
Com infantil e natural prazer
Faz-me chorar, orgulhosamente.
Despercebido à mais aguda mente,
Com infantil e natural prazer
Faz-me chorar, orgulhosamente.
Eu amo o sol com o seu brilho intenso,
O ar, como se pudesse abraçar
Com minha alma sua vastidão,
Embriagado de tanto o olhar.
O ar, como se pudesse abraçar
Com minha alma sua vastidão,
Embriagado de tanto o olhar.
E amo os céus com tal alegria
Que me faz de minha alma admirar,
Uma alegria que nada detém,
Uma emoção que não sei controlar.
Que me faz de minha alma admirar,
Uma alegria que nada detém,
Uma emoção que não sei controlar.
Aqui estendido deixem-me ficar
Diante do sol, da luz absorvida,
E em glória deixem-me morrer
Bebendo fundo da taça da vida;
Diante do sol, da luz absorvida,
E em glória deixem-me morrer
Bebendo fundo da taça da vida;
Absorvido no sol e espalhado
Por sobre o infinito firmamento
Como gotas de orvalho, dissolvido,
Perdido num louco arrebatamento;
Por sobre o infinito firmamento
Como gotas de orvalho, dissolvido,
Perdido num louco arrebatamento;
Misturado em fusão com toda a vida,
Perdido em consciência, impessoal,
Fico parte da força e da tensão,
Pertença duma pátria universal;
Perdido em consciência, impessoal,
Fico parte da força e da tensão,
Pertença duma pátria universal;
E, de modo estranho e indefinido,
Perdidos no Todo, um só vivente,
Essa prisão a que eu chamo a alma
E esse limite a que chamo mente."
Perdidos no Todo, um só vivente,
Essa prisão a que eu chamo a alma
E esse limite a que chamo mente."
Alexander Search
In 'Poesia' , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
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