domingo, 25 de dezembro de 2016

A vivenciar o ciclo da Lua Vermelha

A Lua e os Ciclos Femininos
 

«Mirella Faur, referência no movimento de Retorno do Sagrado Feminino, diz que, do ponto de vista mágico, existem dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação: o ciclo da lua vermelha e o ciclo da lua branca.

A mulher pertence ao ciclo da lua branca quando ovula na lua cheia e menstrua na lua negra (sendo o quinto dia a lua minguante, a lua negra acontece nos três dias que antecedem a lua nova). Quando a mulher menstrua por esse ciclo, geralmente ela apresenta melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras, já que nesse caso o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, estabelecendo relação com o arquétipo da mãe e cuidadora - aspecto do feminino normalmente aceite pelo sistema patriarcal.

Por outro lado, a mulher que ovula na lua negra e menstrua na lua cheia pertence ao ciclo da lua vermelha. Nesse caso, como o auge da fertilidade acontece na fase escura da lua, as energias criativas são direcionadas ao desenvolvimento interior e a energia sexual é usada para fins mágicos, relacionando-se com o arquétipo da bruxa, maga ou feiticeira - aspecto do feminino costumeiramente negligenciado e temido pelo patriarcado.

"Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais" (FAUR, 2015, p. 499).

Para pertencer ao ciclo da lua branca ou vermelha, a mulher não necessariamente precisa ovular e menstruar nos dias exatos da lunação mencionada anteriormente. Se, por exemplo, ela menstruar dois dias após a lua negra, ainda assim pertencerá ao ciclo da lua branca. Segundo Mirella Faur, a tendência é que, com o passar do tempo, exercitando essas práticas de auto-observação, os ciclos passem a regular-se de forma mais sincrônica.

A influência das energias lunares características de cada fase não é fixa e, nas mulheres, depende também do ciclo ao qual ela pertence (Lua Vermelha ou Lua Branca) e do momento da vida de cada uma. Desse modo, para sintonizar-se com as energias da Lua e compreender os próprios processos, é importante meditar e observar os próprios ciclos.»

sábado, 17 de dezembro de 2016

Um poema de Natália Correia

"Casta e fabulosa a lua

Estampada na vidraça.
De sentinela, na rua.

Só o silêncio que passa.

Risca a treva o clarão
De uma porta que se abre
Para uma perdida verdade
Submersa na solidão.

E aquela estrela cadente
Numa curva já sumida
Escreve no céu de repente
Todo o mistério da vida."

in Rio de Nuvens/ Antologia Poética

quarta-feira, 30 de novembro de 2016


"Nas praias, em Portugal, mesmo quando o mar está manso, ouve-se por vezes gente aflita gritar, a quem se aproxima da água, para que tenha cautela com a sétima onda.
Mais alta que as outras, mais lenta, ela espalha suavemente a espuma, para de súbito, traiçoeira, escavar na areia um abismo e engolir os corpos que nunca devolve.
Diz-se que os espíritos das vítimas ficam presos na rebentação, condenados à pena eterna de rever sete vezes o passado a cada sétima onda."