"Mesmo quando não recebe a hospitalidade universitária, o poeta, artista ou compositor de hoje encontra-se, como nunca antes, sob a pressão das atenções e expectativas da universidade. Conscientemente ou não, numerosos poetas - Auden conta-se entre os primeiros a ter intuído e explorado este paradoxo devastador - começam a escrever o tipo de poema que se presta às análises estruturais do college ou da universidade. O romancista introduz ambiguidades, densidades polissémicas do género que o intérprete aprecia e «ensina». Marcados pelo rasto da psicanálise, os departamentos literários e artísticos da universidade procuram os alicerces freudianos ou junguianos do quadro ou do poema. Conscientemente ou não, o criador esforça-se por prestar serviço. Há amabilidades de recepção entre o criador e o intérprete que deformam a obra. Numa medida difícil de determinar, o impulso esotérico da música, arte e literatura do século XX depende de um cálculo. Procura obter a consagração de um estudo hermenêutico universitário, e reciprocamente, a universidade escolhe aquilo que parece solicitar as suas competências exegéticas e criptográficas."
George Steiner em "Presenças Reais"
Editorial Presença
1ª edição, 1993
Páginas 43 e 44

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