terça-feira, 17 de junho de 2014

Da Inspiração "Pop Culture"

"Paradise falls"

"Back in 82"

"All work and no play"


"Nrvous"

"I got you babe"

"4 8 15 16 23 42"

"I'm a loner dottie, a rebel"

"Where's Carl?"

"Keep your hands off my lobby boy"

"So much time and so little to do"

"Somewhere over the rainbow"
 
Visto aqui !

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Aceitação

"É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens
e sentir passar as estrelas
do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.
 
É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceano
E assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas,
que desejar que apareças, criando com teu simples gesto
o sinal de uma eterna esperança.
 
Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,
nem tu.
 
Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar."
 
Cecília Meireles  em "Viagem"

domingo, 15 de junho de 2014

Arquitectura da Face











 

"Para grande espanto nosso, aproximamo-nos do final do século e o Novo Homem ainda não surgiu. Revolução nenhuma o conseguiu criar. Porque não é do interesse de nenhum Estado que ele surja. Porque teria de ser um homem com valores humanos, e um homem com estas características não se integraria no sistema, em nenhum dos que actualmente existem. Porque seria um homem que, acima de tudo, defenderia a vida, e, seguramente, desobedeceria à ordem de acionar a bomba que destruiria o planeta. Mas onde poderá existir a escola que consiga formar um ser que seja capaz de questionar, de contestar, de desobedecer, quando toda a educação está orientada para a obediência e a integração no sistema? O surgimento deste homem teria de ser o resultado do labor individual e consciente de um homem e de uma mulher, e estes estão por de mais ocupados em produzir e consumir irracionalmente. Esse novo ser teria de saber de onde vem e para onde vai. Teria de estar em comunhão alimentar com o seu passado, teria de regressar à sua origem e isso já não é possível. Perdeu-se a noção de ritual. De cerimónia. A modernidade rompeu com isso. O homem está perdido num labirinto de produtos idênticos. As casas, a roupa, a comida enlatada. Os seres humanos procuram desesperadamente uma saída.
(...)
Existe um fio que pode conduzir-nos até a ela, e esse fio é, nada mais nada menos, a nostalgia do passado. A nostalgia tem a ver com tudo o que perdemos, o ritual, a intimidade, as pulsões, o feminino. Urge recuperar uma relação individual e mais humana com a natureza. Necessitamos de Prometeus contemporâneos que roubem o fogo à indústria que contamina e produz irracionalmente e às fábricas de armamento, para que o homem o recupere e se salve. Recuperar o poder criativo do fogo e devolvê-lo ao lar. Recuperar a cozinha como espaço de sabedoria onde se pratica a arte e a vida. Onde se unem os produtos da terra aos do ar, o presente ao passado. "Onde a mistura dos princípios activo e passivo cria outra realidade artística e espiritual através de um acto amoroso."
 
Laura Esquível  em "Íntimas suculências - Tratado filosófico de cozinha"

Canção

"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
 
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.
 
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio ...
 
Chorarei quando for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
 
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."
 
Cecília Meireles  em "Viagem"

sábado, 14 de junho de 2014

"Os primeiros anos da minha vida passei-os junto ao fogão da cozinha da minha mãe e da minha avó, vendo como estas sábias mulheres, ao entrarem no recinto sagrado da cozinha, se convertiam em sacerdotisas, grandes alquimistas que brincavam com a água, o ar, o fogo e a terra, os quatro elementos que constituem a razão de ser do universo. O mais surpreendente é que o faziam com a maior das humildades, como se não estivessem a transformar o mundo através do poder purificador do fogo, como se não soubessem que os alimentos que preparavam e nós comíamos permaneciam dentro dos nossos corpos por muitas horas, alterando quimicamente o nosso organismo, nutrindo-nos a alma e o espírito, dando-nos uma identidade, uma língua, uma pátria.
Foi aí, junto ao fogão, que recebi da minha mãe as primeiras lições de vida. Foi aí que a Saturnina, uma criada recém-chegada do campo, a quem carinhosamente chamávamos Sato, me impediu um dia de pisar um grão de milho caído no chão, porque nele habitava o Deus do Milho e não se lhe podia faltar ao respeito. Foi aí, no lugar mais comum para receber as visitas, que me inteirei do que se passava no mundo."
 
Laura Esquível  em "Íntimas suculências - Tratado filosófico de cozinha"

Retro Internet :)





terça-feira, 10 de junho de 2014

Motivo

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
 
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
 
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
 
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia que estarei mudo:
- mais nada."
 
Cecília Meireles  em "Viagem"

Mircea Suciu

"Wise Guys", Oil-canvas, 2011

"Black List", Oil-canvas, 2011

"The Paradise of fools", Oil-canvas, 2011

"Building Confidence", Oil-canvas, 2011

"Blinded by the white", charcoal/paper, 2011

"Leave all hope", Oil-canvas, 2010

"The Monument", Oil-canvas, 2009

"Aftermath", Oil-canvas, 2009

"Burden of a beautiful soul", Oil-canvas, 2008
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

"Cada personalidade tem necessidades espirituais próprias.
(...)
A única necessidade essencial continua a ser a da profundidade. Mal o ser abandona a superfície das coisas para experimentar a sua própria profundidade, essa experiência muda toda a nossa atitude e cria perseverança e desapego. As nossas atribulações e preocupações não terminam assim que começamos a viagem ao fundo de nós, mas tornam-se parte integrante da nossa peregrinação pela vida e passamos a aceitá-las - têm, portanto, uma tonalidade e uma cor diferentes."
 
Marc de Smedt  em "Elogio do Bom Senso"

Ethan Murrow

"State of Califórnia"

"Lovers Film Proposal"

"Captains of Revision"

"Wanderer above the sea of fog"

"Albert Bierstadt"

"Betrayal"

"Decide nothing"

"Romance"

"The Prisoners"

"Will be snaring meteorits"
 
Fantásticos estes grafites em papel de Ethan Murrow! Adorei a série "Will be Snaring Meteorites"! :)