levemente acesas delicadamente abertas
reunindo a frigidez da pedra e o fulgor dos relâmpagos
poderá erguer a melancólica espádua
que é uma sombra solar sobre a ferida de um flanco
e na liberdade do olvido restaurar o azul
sobre um jardim branco onde uma urna guarda
o óleo das lâmpadas que iluminavam a nudez
Na página desponta uma boca fácil de sossego lento
e é talvez uma folha ou uma cabeça de centelhas
ou apenas a forma branca do desejo
na sua profundeza azul de nudez recente
ou então a felicidade de um espaço sem flores nem plumas
em que os gestos se apaziguam e as manchas se dissolvem
na instantânea transparência de um silêncio de estrela
que liga a mão ao olhar numa imensa suavidade"
António Ramos Rosa em "Obra Poética II"
Assírio & Alvim
1ª edição, Outubro de 2020
Página 502
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