quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

"Purgatório" de Pedro Eiras

 "Essas palavras, agarra-las
pelos colarinhos,
contra a parede, nas vielas,
é um mau encontro tardio,
vagamente armado
de garrafas partidas:
- O sentido ou a vida!,
gritas, frenético,
nunca pensaste que descerias
a tão radicais expedientes.

Mas olha para ti agora,
farto de bibliotecas,
dicionários, enganos
pagos
a preço de ouro; prometeram-te 
o graal, a excalibur
ou pelo menos o rendimento
de uma oficina de escrita
criativa; deviam malhar todos
com os ossos na enxovia,
por muito menos apanharias
dez ou quinze anos
à sombra.

Daí esta esperinha, o recurso final
de que mediu versos, leu
as autoridades, prestou culto dominical
à polissemia do verbo.

Mas olhas nos olhos estas palavras
mudas,
nem sequer assustadas com
a tua súbita, tola
impaciência
nos punhos, nos caninos;

estas palavras impávidas,
sorrindo vagamente da tua fraca figura,
que ambiciona fortunas, pompas,
indemnizações,
e só agarra
sombras,

sobras."




"Purgatório" de Pedro Eiras
Assírio & Alvim
1ª edição, Maio de 2021
Páginas 56 e 57

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

 
"Shuggie olhou para o folhado de maçã dourado e, devagar, tocou-o com um só dedo. Sentiu o calor que emanava do folhado. A mãe pusera o folhado e o prato no forno. Era um folhado castanho e escamoso, coberto por cristais de açúcar que haviam derretido e formado uma carapaça estaladiça e de aspecto doce. Em ambos os lados do folhado, havia xarope de maçã, peganhento e dourado, escorrendo pelo prato em manchas borbulhantes. O folhado fez um ruído cristalino, crocante e alegre, quando Shuggie lhe tocou com o dedo."



"Shuggie Bain" de Douglas Stuart
Alfaguara
1ª Edição, Setembro de 2021
Página 266

"Imagens Orientais / Imagens Acidentais" de Luísa Freire

 
LUÍSA FREIRE

Luz pela janela
onde a noite se consome
a brilhar o tempo.

Manhã de domingo -
o silêncio ajoelhado
ante a voz dos sinos.

De pé-ante-pé,
a noite desce plas coisas
em sombra-ante-sombra.

A manhã que acorda
espreguiça a luz recente
na terra que dorme.

À luz dos faróis,
a chuva sobre o asfalto:
salpicos de estrelas.

Na noite profunda
bate o silêncio estrelado.
Quantas badaladas?

Canto alentejano:
tisnados, hirtos, solenes,
os deuses da terra.

Fim de tarde e água:
nuvens a nadar de costas
na calma da ria.

Colher a imagem
e colocá-la entre folhas -
um livro de instantes!

Sabor esquecido:
gosto que traz a infância
na ponta da colher.




"Imagens Orientais / Imagens Acidentais" de Luísa Freire
Assírio & Alvim, Novembro de 2003

"Imagens Orientais / Imagens Acidentais" de Luísa Freire

 
MATSUO BASHÔ

Aqui o silêncio -
somente a voz da cigarra
penetra os rochedos.

Sou só o que toma
o pequeno-almoço olhando -
esplendor da manhã.

Sob o mesmo tecto,
dormem com as prostitutas
o trevo e a lua.

Caminham os grous
no começo da primavera,
fiéis à natureza.

Que belo que é
não pensar ao ver um raio:
«A vida é fugaz».




YOSA BUSON

As flores de colza -
com o sol a ocidente,
lua a oriente.

Um templo no monte;
o som do sino a tocar
perde-se na névoa.

Vagarosos dias
passam. Que distantes ficam
as coisas passadas!




ISSA KOBAYASHI

Meu eremitério -
tem por tecto e cobertura
o esplendor da manhã.

Durmo a minha sesta,
fazendo a água do monte
lavar o arroz.




SHIKI

Que dia tão longo -
o barco vai conservando
com a praia ao lado.

Por entre a verdura
uma flor branca floresce -
não lhe sei o nome.

Nuvens ondeantes -
amontoadas ao sul,
barcos, brancas velas.

Ninguém usa o machado
onde as árvores são mais densas -
um duende as habita.




"Imagens Orientais / Imagens Acidentais" de Luísa Freire
Assírio & Alvim, Novembro de 2003

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

"Um Falcão No Punho" de Maria Gabriela Llansol (I)

 
"Tal como sou acompanhada pelos lagos ____ águas adormecidas naturais e duráveis ____, de igual modo deve fazer parte da sombra, que se desloca comigo, inscrever os dias estendidos por longo período de tempo.
(...)
Se geralmente os meses começam com a lua nova, ela atravessa épocas em que não tem outro sonho senão o de conhecer, e todos os livros, limites e indícios da vida quotidiana lhe parecem pequenos microcosmos justapostos com o mesmo fim, ou a mesma origem."


"Falamos do pendor conceptual de certas árvores pois cremos que há árvores que agem mentalmente."


"E o sinal de que a madrugada está a passar, decompondo-se nos seus elementos e vestígios."


"Reparo que, ao fundo, a árvore é um livro que distribuiu as folhas pelos ramos de modo que nenhuma escape ao Sol; há um tal fulgor no sol que desce, e se esconde, que dificilmente posso concentrar-me sempre no mesmo lugar verde. A distância é o meu percurso, e na globalidade do céu receio não descobrir viagem por mar que me oriente."


"... se sou, por natureza, um nómada, por que planto árvores e arbustos mal chego a um lugar, e depois desejo levantá-los do jardim, para levar comigo quem tem raízes?"




"Um Falcão No Punho" de Maria Gabriela Llansol
Relógio D´Água Editores
2ª edição, Março de 1998
Páginas 07, 39, 45, 46, 52 e 105

"Um Falcão No Punho" de Maria Gabriela Llansol (II)

 
"É noite por detrás da escrita"


"As palavras são, como tudo, formas impulsivas, cheias de um rio, que guardam os extractos do tempo e dos acontecimentos, num ficheiro integralmente caótico."


"O texto é a mais curta distância entre dois pontos."


"Quem pensa, dispõe-se a um infinito de realidades para além de si mesmo."


"Nunca mais era dia, a noite desdobrava-se de noites e, no limiar delas, nenhum folgor era despedido ________ nada mais inexacto, e distante, do que a manhã."




"Um Falcão No Punho" de Maria Gabriela Llansol
Relógio D'Água Editores
2ª edição, Março de 1998
Páginas 124, 133, 135, 146 e 149

domingo, 9 de janeiro de 2022

My Photohaiku (03)

 
poças de água -
as árvores olham-se
ao espelho



Belém, 27 de Dezembro de 2021

"Aves dormindo enquanto flutuam" de Masaoka Shiki

 
"dispersaram-se 
as nuvens que seguiam juntas -
ventania outonal"


"a púrpura das nuvens
dilui-se
na frescura da manhã"


"o equinócio da primavera
todo ele vísivel
neste pôr-do-sol carmim"


"só nuas
as árvores deixam ver
o sol a pôr-se"


"antes do pôr-do-sol
o rosto da lua
atravessa a cortina de granizo"


"quantas gerações de musgo
já passaram pela lanterna de pedra
a que a neve agora se agarra?"




"Aves dormindo enquanto flutuam" de Masaoka Shiki
Assírio & Alvim
1ª edição, Outubro de 2021
Páginas 206, 208, 250 e 251

sábado, 8 de janeiro de 2022

"Aves dormindo enquanto flutuam" de Masaoka Shiki

 
"debaixo da árvore
com poucas folhas
esperando pelas estrelas"


"que comprimento
tem a minha vida
nesta noite tão curta?"


"sol no seu zénite -
pequenas são na areia
as sombras dos pinheiros"


"a carpa salta
e enruga-se na água
o luar de outono"


"por cima das árvores sem folhas
a estrela da manhã
na companhia da lua de inverno"


"cotovias planando
de nuvem em nuvem
respirando névoas"


"a libélula procura
a sombra da janela -
dias quentes de outono"


"pegadas sem fim
na areia da praia
neste dia de primavera!"


"coberto de geada
treme
o rebento da peónia"


"cobrem a montanha
as folhas verdes
e nelas se passeia o sol"




"Aves dormindo enquanto flutuam" de Masaoka Shiki
Assírio & Alvim
1ª edição, Outubro de 2021
Páginas 40, 42, 66, 70, 97, 125, 159, 176, 180 e 185

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

O Respirar das Flores

 
"silêncio profundo -
só o respirar das flores
no sopro da brisa"


"praia matinal -
tempos distantes regressam
no cheiro das algas"


"noite de luar -
as ervas bravas perfumam
o canto dos grilos"


"na manhã de outono
o fumo envolve quem passa -
castanhas assadas"


"nuvens cor de cinza 
empurradas pelo vento -
amanhã o sol"




"O Respirar das Flores" de Leonilda Cavaco Alfarrobinha
Pássaro de Fogo
1ª edição, Dezembro de 2007
Páginas 15, 43, 58, 68 e 79

domingo, 2 de janeiro de 2022

Filmes: o que mais gostei em 2021

  • "As Verdadeiras Mães" de Naomi Kawase @ TVCine Top
  • "Entre Leiras" de Cláudia Ribeiro @ TVCine Edition
  • "Gunda" de Viktor Kossakovsky @ Cinema da Villa
  • "I Am Somebody's Child: A Adopção de Regina Louise" @ TVCine Edition
  • "Nomadland - Sobreviver na América" de Chloé Zhao @ Cinema Ideal
  • "Nunca Deixes de Olhar" de Florian Henckel von Donnersmarck @ RTP1
  • "O Capital no Século XXI" de Justin Pemberton @ TVCine Top
  • "O Grande Silêncio" de Philip Groning
  • "O Movimento das Coisas" de Manuela Serra @ Cinema Ideal
  • "Silêncio" de Martin Scorsese @ RTP1

Ecrãs: o que mais gostei em 2021

  • "A Biblioteca do Futuro" @ RTP2
  • "Deus Cérebro" @ RTP2
  • "Lendas do Tofu" @ RTP2
  • "Maria Gabriela Llansol - Um Olhar Intenso Pode Incendiar o Texto" @ RTP2
  • "Na Rota do Tráfico com Mariana Van Zeller" @ National Geographic
  • "O Universo de Kukai" @ RTP2
  • "Sons da Natureza" @ RTP2
  • "Uma Chávena, Mil Histórias" @ RTP2

Arte & Cultura: o que mais gostei em 2021

 
- "A Natureza Detesta Linhas Retas" de Gabriela Albergaria @ Culturgest

- "Ai Weiwei - Rapture" @ Cordoaria Nacional

- "Flamboyanzinho. Flor de Pavão. Flamboyant-mirim. Barba-de-barata" @ Galeria da Boavista

- "Francis Smith - Em Busca do Tempo Perdido" @ MNAC

- "Imago 2021 - Joakim Eskildsen" @ MNAC

- "Matéria Luminal" @ Museu Berardo

- "Mulheres e Resistência - Novas Cartas Portuguesas e outras lutas" @ Museu do Aljube

- "Múltiplo Leminski" @ Casa da América Latina

- "No Plan for Japan" de Ana Aragão @ Museu do Oriente

- "No Reino das Nuvens: Os Artistas e a Invenção de Sintra" @ MU.SA - Museu das Artes de Sintra

- "Outros Mundos" de Ana Abrão @ Museu do Oriente

- "Representações do Povo" @ Museu do Neo-Realismo

- "Tudo o que eu quero - Artistas Portuguesas de 1900 a 2020" @ Museu Calouste Gulbenkian

- "Variações Naturais" @ Museu Nacional de História Natural e da Ciência

- "Vivian Maier - Street Photographer" @ Centro Cultural de Cascais

O que mais gostei de ler em 2021


FICÇÃO:

- "Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos" de Olga Tokarczuk
- "Esta  Bruma Insensata" de Enrique Vila-Matas
- "Eternidade" de Ferreira de Castro
- "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes
- "No Jardim do Ogre" de Leila Slimani
- "O Ano da Morte de Ricardo Reis" de José Saramago
- "O Senhor das Almas" de Irène Némirovski
- "Klara e o Sol" de Kazuo Ishiguro




NÃO FICÇÃO:

- "A Sabedoria Secreta da Natureza" de Peter Wohlleben
- "Cérebro e Género" de Daphna Joel e Luba Vikhanski
- "O Convento dos Capuchos da Serra de Sintra" de Nuno Miguel Gaspar
- "O Infinito Num Junco" de Irene Vallejo
- "O Mundo da Escrita" de Martin Puchner
- "Roteiro Lírico de Sintra" de Oliva Guerra
- "Serra, Luas e Literatura" de João Rodil
- "Tempo Extra - 10 Lições para um Mundo em Envelhecimento" de Camilla Cavendish
- "Tenzo Kyôkun - Instruções Para o Cozinheiro Zen" de Eihei Dogen




POESIA E OUTROS GÉNEROS:

- "na curva escura dos cardos do tempo" de Leonor de Almeida
- "No Íntimo de Uma Gramática Morta" de Rui Nunes
- "Onde Vais Drama-Poesia?" de Maria Gabriela Llansol
- "Poesia Completa - O Sol nas Noites e o Luar nos Dias" de Natália Correia
- "Poesia e Criação: Diálogos com Guillermo Boido Vol I" de Roberto Juarroz
- "Roupão Azul" de Ana Paula Jardim
- "Sombras brancas - setenta e sete poemas sobre anjos caídos de outras línguas" de Jorge Sousa Braga
- "Virá a morte e terá os teus olhos" de Cesare Pavese

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Marcações

 
"A minha árvore está livre,
vejo-a daqui,
os ramos oscilando ao ritmo
dos meus passos

Como cadeira antiga
que não precisa nome, assim
é ela: minha,
e a ela aporto
como navio, agora

Convocaria exército de abelhas,
batalhão de formigas do fundo
do jardim, se sentisse
outro corpo?

Imagino-a cantando, dizendo
que está livre, se preparou
para me receber

Acaba de lançar
miríade de folhas sobre mim,
oferta descomposta pela cor,
e o hino atravessado a negro
que lhe faço
ficou mais rico na poeira de oiro -

tal como a minha camisola branca
que seriamente exibe
as suas manchas, o seu cheiro
de morte anunciada:
esse cansaço bom depois do amor -

ou êxtase de outono a ser"



"Mundo" de Ana Luísa Amaral
Assírio & Alvim
1ª edição, Outubro de 2021
Páginas 82 e 83

Dois Cavalos: Paisagem

 "Estão lado a lado,
naquela praça em frente da igreja,
nesse calor de quando o mundo oscila
na linha de horizonte,
e o rio quase defronte:
uma miragem

Estão lado a lado,
sujos de pó, as cabeças tombadas para a frente,
unidos pelo jugo desigual, a carroça apoiada no muro
mas pronta a ser unida aos corpos deles

Estarão feitos assim: velhos amigos,
os corpos encostados mesmo neste calor,
pela aliança muda?

Arreios, cabeçadas, todos os instrumentos
do que parece ser mansa tortura
mais o freio, ou bridão,
parecido com aquele colocado na boca das mulheres
que desobedeciam,

e era isso há muito tempo,
pelo menos quatro séculos,
ou semelhante ao que se usava
nos escravos, cobrindo-lhes a boca
para que não se envenenassem,
porque se recusavam a  viver
escravos
e era isso quase agora, no século passado

Mas eles não criam caos nem desacato,
não se revoltam nem tentam o veneno
se o freio agudo lhes fere, pungente,
gengiva, língua, osso

Só se encostam quietos, um ao outro,
cabeças derrubadas para a frente,
à espera do chicote
que chegará depois com a carroça, pronta
para a entrega das coisas
humanas, o comércio

E é esta a mais perfeita
das colonizações"



"Mundo" de Ana Luísa Amaral
Assírio & Alvim
1ª edição, Outubro de 2021
Páginas 38 e 39

O Peixe

 
"É de metal
que ao sol
parece azul
o anzol
que o prende
à morte

E os sons
que pela areia
do verso
o arrastaram
têm o som
metálico
do medo"



"Mundo" de Ana Luísa Amaral
Assírio & Alvim
1ª edição, Outubro de 2021
Página 16

A Pega: As Outras Cores Do Mundo


"No jardim tangente à minha casa
por entre os pássaros
que lhe habitam as árvores e cantam
em trinado desacerto,
vive uma pega

O seu nome não é um nome belo
como andorinha ou rouxinol,
que lembram odes e mornas tradições,
ou como arara, quetzal ou beija-flor,
nomes felizes com as cores inteiras
que o olho humano entende
- e ainda outras
que as entendem eles

Mas ela, elegante no corpo todo negro, a cauda longa,
só laivo a branco leve na asa e pelo peito,
parece que vestiu alta-costura
para voar pelos ramos de outono e
os telhados das casas
que estão perto

Dizem os entendidos
que reconhece ao espelho o seu reflexo,
algo que ao bicho humano
exige anos de vida

Nestes dias tão magros
em que os cavalos de apocalipse e espanto
cavalgam livres, trazendo novas pestes, guerras, fomes,
é um prazer de afago

alegria sem nome
vê-las todos os dias a voar

equilibrista bicolor,
dona do mundo"




"Mundo" de Ana Luísa Amaral
Assírio & Alvim
1ª edição, Outubro de 2021
Páginas 14 e 15

domingo, 31 de outubro de 2021

Pássaros

 
"Não sei nada sobre pássaros
Só de os ouvir cantar para mim em bosques antigos
Pendurados nos galhos das árvores."



"Roupão Azul" de Ana Paula Jardim
Guerra & Paz Editores
1ª Edição, Janeiro de 2021
Página 81

Ruínas

 
"Se algum dia me procurares e me quiseres falar
Procura primeiro no convento junto ao rio
Não no novo reconstruído e estranho
Mas no antigo
Em ruínas
Procura bem nos arcos das janelas que se erguem como espectros nas águas do Mondego
Procura nas manhãs geladas de Inverno
Nos tempos antigos
Imemoriais
Procura-me na sombra das árvores
Que existiam junto ao portão a dar frutos com o teu nome
Procura-me no silêncio secular das pedras
E no som dos sinos da igreja a chamar por ti
A guiar os teus passos para dentro de mim
Para o meu corpo virgem sepultado nas tuas mãos
Procura-me nos olhos de Inês
Que espreitam pelas fechaduras à tua espera
Iludidos, claros, cheios de labirintos
Vê se me encontras nas pétalas de rosa semeadas pelo chão
As que florescem em Janeiro no regaço da Rainha
As que caíram do manto e eram pão."



"Roupão Azul" de Ana Paula Jardim
Guerra & Paz Editores
1ª Edição, Janeiro de 2021
Páginas 79 e 80