quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um mero subproduto ornamental

Continuamos a consumir, em qualidade e quantidade, mais cultura inglesa, francesa, italiana, alemã, etc, do que a Europa consome cultura ibérica.
Numa altura em que considera-se fundamental aumentar as exportações, é inegável que não conseguimos deixar de ser uma nação importadora da dita mercadoria cultural.
A título de exemplo, vislumbro com tristeza um futuro negro para o cinema nacional, um cinema cada vez mais de excelência.
Por vezes tenho a sensação de que, para alguns, a cultura é um mero subproduto ornamental.

Da identidade portuguesa

A identidade ! O que é a identidade ?
Quer para o indivíduo, quer para o grupo, quer para uma nação, a identidade é um pressuposto para o qual contribui a nossa vontade de querer e poder permanecer conforme ao projecto de ser aquilo que se é.
Ora, quando penso no bilhete de identidade que cada português traz no bolso interior da sua alma, é lógico  que um dos dados que consta no mesmo é, por exemplo, o facto de termos descoberto e baptizado a Terra, de Cabo Verde à Índia, do estreito de Magalhães às Filipinas.
Mas por vezes pergunto-me se esta imagem positiva que temos de nós mesmos enquanto passado, e ainda presente nos vestígios artísticos ou literários (Jerónimos, Lusíadas, cronistas, arte barroca) , garante-nos actualmente um presente digno dela ou até mesmo o tipo de influência que exerce sobre o mesmo.
Como seria a nossa consciência tendencialmente deprimida sem esse passado ?
Será que esse mesmo passado impede-nos de investir no nosso presente uma energia e uma ambição que sempre parecerão medíocres comparadas com as do século de esplendor ?