domingo, 21 de junho de 2015

Sukhavati Raw Desserts Plant









 
Stephen McCarty é um chef americano especialista na transformação de ingredientes orgânicos em verdadeiras obras de arte veganas, decoradas com as mais belas mandalas.
A ideia surgiu após ter começado a praticar meditação, sendo que o conceito dos seus bolos tem como intuito levar-nos a reflectir sobre a beleza e impermanência da vida.
Com o aperfeiçoamento dos bolos e das mandalas criou o negócio Sukhavati Raw Desserts Plant.
As cores utilizadas por McCarty são feitas a partir de extractos vegetais e frutas naturais. Com simetria perfeita, encontramos sabores como chocolate branco com frutas silvestres, morango com rosas e cacau ou limão com lavanda e mirtilo.
"O conceito de impermanência não é inerentemente positivo ou negativo, mas simplesmente uma parte do processo de composição das coisas. Habitualmente apreciamos apenas metade do ciclo da impermanência. Podemos aceitar o nascimento mas não a morte, o ganho mas não a perda ou o fim dos exames mas não o início. A verdadeira libertação vem de apreciarmos todo o ciclo e não nos agarrarmos àquelas coisas que achamos agradáveis. Recordando a mutabilidade e impermanência de causas e condições, quer positivas quer negativas, podemos usá-las para nosso proveito. Riqueza, saúde, paz e fama são exactamente tão temporárias como os seus opostos."

Dzongsar Jamyang Khyentse  em "O que não faz de ti um budista"

quarta-feira, 17 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

Via Láctea na Primavera


 (Clique na imagem para ampliar)
 
“Com a chegada da Primavera, a Via Láctea começa a ser visível nos céus de Portugal de madrugada, nesta imagem, captada em Monsaraz, na Reserva Dark Sky Alqueva, é possível observá-la em pleno, graças a este mosaico de 21 imagens que permite um grande campo de visão, revelando este “braço” da nossa galáxia acima do Convento da Orada (datado de 1670). Logo ao centro e à direita das palmeiras, a Lua brilha intensamente, não interferindo no gigante arco da Via Láctea onde é possível distinguir constelações como a Ursa Menor, com a estrela polar à esquerda da imagem, até ao Cisne, com a sua nebulosa Norte da América NGC7000 bem visível, descendo mais à direita, encontramos ainda as constelações de sagitário e escorpião, com a brilhante estrelas super gigante, Antares.”

Texto e fotografias de Miguel Claro

sábado, 6 de junho de 2015

A Luta pela Terra

"Retrato de criança no assentamento de Barra do Onça,
próximo ao município de São Francisco de Canidé. Aí, 102
famílias conseguiram há alguns anos suas parcelas individuais
de terra e possuem em comum 850 vacas leiteiras, cuja produção
diária ultrapassa os 5 mil litros. É a maior unidade do sector
em Sergipe e a única em que se fazem duas ordenhas por dia.
Sergipe, 1996."
 
"Existem dezenas de milhares de famílias brasileiras que vivem em acampamentos à beira das estradas em vários pontos do país. São famílias de sem-terra que aos poucos vão-se juntando e formando verdadeiras cidades, às vezes com uma população de mais de 10 mil habitantes.
As condições de vida são as mais rudimentares; falta tudo: água, alimentação, instalações sanitárias, escola para as crianças, assistência médica, etc. Além disso, essas pessoas vivem em grande insegurança, sujeitas às provocações e violências por parte dos jagunços e outras forças de repressão organizadas pelos latifundiários, que temem a ocupação de suas propriedades improdutivas. A situação nessas "cidades" é de facto pior que a dos campos de refugiados na África, pois os sem-terra não contam com a protecção das autoridades, não recebem assistência institucional e nenhuma organização humanitária ou a Organização das Nações Unidas lhes presta socorro.
Seja como for, os deserdados da terra alimentam a esperança de melhores dias. E uma coisa é certa: não querem mais fugir para as cidades, que já não podem absorvê-los, dar-lhes trabalho e condições dignas de vida. Preferem, pois, resguardando-se das ameaças da delinquência e da prostituição dos grandes centros urbanos, permanecer nos acampamentos à margem das estradas e esperar pela oportunidade de ocupar a terra tão sonhada, mesmo correndo risco de vida. Seus projectos são idênticos: lavrar um pedaço de terra finalmente seu, construir uma casa para a família, assegurar o sustento desta e, por meio da cooperativa a ser criada, comercializar os excedentes de sua produção agrícola, garantindo a manutenção de escola para os filhos. É esse, em síntese, o sonho comum dos sem-terra."

"Terra" de Sebastião Salgado

Brejo da Cruz

"Retrato de menina sem-terra à margem da rodovia estadual PR-158,
que liga Laranjeiras do Sul a Chopinzinho, no Paraná.
Aí estão reunidas, há vários meses, mais de 3 mil famílias à
espera da ocupação das terras. Paraná, 1996."


"A novidade
que tem no Brejo da Cruz
é a criançada
se alimentar de luz
 
Alucinados
meninos ficando azuis
e desencarnando
lá no Brejo da Cruz
 
Eletrizados
cruzam os céus do Brasil
na rodoviária
assumem formas mil
 
Uns vendem fumo
tem uns que viram Jesus
muito sanfoneiro
cego tocando blues
 
Uns têm saudade
e dançam maracatus
uns atiram pedra
outros passeiam nus
 
Mas há milhões desses seres
que se disfarçam tão bem
que ninguém pergunta
de onde essa gente vem
 
São jardineiros
guardas-noturnos, casais
são passageiros
bombeiros e babás
 
Já nem se lembram
que existe um Brejo da Cruz
que eram crianças
e que comiam luz
 
São faxineiros
balançam nas construções
são bilheteiras
baleiros e garçons
 
Já nem se lembram
que existe um Brejo da Cruz
que eram crianças
e que comiam luz."

Chico Buarque


Fotografia de Sebastião Salgado em "Terra"