domingo, 25 de junho de 2017

Sintra e o seu Castelo (II) ūüíó


Caderno Moleskine

"H√° sempre um poema para escrever
nas p√°ginas do caderno Moleskine.
E mesmo que n√£o esteja a apetecer
neste Mundo em t√£o grande desatino
chateia a musa até acontecer.
Pouco importa que afine ou desafine
o que importa é que traga o verbo ser
para torcer as voltas ao destino
nas p√°ginas do caderno Moleskine."
 
Manuel Alegre em "Nada est√° escrito"

"Isto filhos, a poesia e a cozinha s√£o irm√£s" (XII)

 
Caril com couscous de cebolinho e lima. Topping de legumes assados, manga e sementes. Almo√ßo de hoje. ūüíóūüėčūüėčūüíó

terça-feira, 20 de junho de 2017

O P√£o

"A superf√≠cie do p√£o √© maravilhosa primeiro por causa desta impress√£o quase panor√Ęmica que d√°: como se se tivesse ao dispor, sob a m√£o, os Alpes, o Taurus ou a Cordilheira dos Andes.
Assim pois uma massa amorfa enquanto arrota foi introduzida para n√≥s no forno estelar, onde, endurecendo, se afei√ßoou em vales, cumes, ondula√ß√Ķes, ravinas ... E todos esses planos desde ent√£o t√£o nitidamente articulados, essas lajes finas em que a luz aplicadamente deita os seus lumes, - sem um olhar sequer para a flacidez ign√≥bil subjacente.
Esse lasso e frio subsolo que se chama o miolo tem o seu tecido semelhante ao das esponjas: folhas ou flores são aí como irmãs siamesas soldadas por todos os cotovelos ao mesmo tempo. Logo que o pão endurece essas flores murcham e contraem-se: destacam-se então umas das outras e a massa torna-se por isso friável.
Mas quebremo-la, calemo-nos: porque o pão deve ser na nossa boca menos objecto de respeito do que de refeição."

Francis Ponge em "Alguns Poemas"

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Um poema de Teixeira de Pascoaes

"J√° de tanto sentir a Natureza,
de tanto a amar, com ela me confundo!
E agora, quem sou eu? Nesta incerteza,
chamo por mim. Quem me responde? O mundo."

domingo, 4 de junho de 2017

O que o jardineiro disse a Mrs Trail

" - E agora é tão pobre a poesia que publicam.
Mas nos velhos tempos n√£o era assim,
Pois outrora foi a linguagem da dor humana,
E, na língua dos profetas, a das leis de Deus,
E, na língua dos anjos, a dessa causa
Pela qual arderam grandes almas, e os carvalhos floresceram.
Eu, que sou amigo dos amarantos, reconheço
Um b√°lsamo nesse nome, um b√°lsamo para estas praias.
Mas agora usam palavras difíceis para coisas simples,
Para as flores silvestres, e para as flores do lago.
Folha da alegria, estrela em chamas, s√£o palavras que hoje
Pouco nos tocam, embora tenham sementes em forma de asa,
Se os pobres pecadores como eu falarem
Com Deus que humildemente pronuncia esses nomes com amor."
 
Malcolm Lowry  em "As Cantinas e Outros Poemas do √Ālcool e do Mar"

s√°bado, 3 de junho de 2017

Recantos misteriosos @ Sintra

"Na sua rela√ß√£o com o resto do planeta, os tarahumaras s√£o contradi√ß√Ķes andantes: afastam intrusos, mas fascinam-se pelo mundo exterior. De certa forma, faz sentido: quando se gosta de correr dist√Ęncias extraordin√°rias, deve ser tentador abandonar tudo e ver at√© que s√≠tios e por que dist√Ęncias √© que as pernas nos podem levar."  ūüíó

Christopher McDougall  em "Nascidos para Correr"

Raquel Tavares - Meu Amor de Longe