segunda-feira, 10 de julho de 2017

"Isto filhos, a poesia e a cozinha são irmãs" (XIV)

 
Tarte de maçã e creme de baunilha. Gelado de caramelo. Esferas de maçã cozidas em xarope de canela perfumadas com raspa de limão. Rosmaninho.
Gordice do fim-de-semana. Sem açúcar e lacticínios. Inspiração de Lua Cheia.
💗😋💗😋

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Rua de São Paulo

"Em certas ruas de Lisboa cheira a Índia.
Na Rua de São Paulo por exemplo
a certas horas pode navegar-se
pela rua fora como em nenhum mar. Então
cheira a pimenta e a canela. E ao cheiro dela
 
Lisboa ainda se despovoa mesmo que
dela apenas se parta não partindo
ou caminhando pela Rua de São Paulo
até chegar àquela estrofe onde se avista
a Índia que só há dentro de nós."

Manuel Alegre  em "Nada está escrito"

sábado, 1 de julho de 2017

"Isto filhos, a poesia e a cozinha são irmãs" (XIII)

 
Espinafres salteados com cogumelos, batata assada no forno. Almôndegas de tofu com endro e cebola roxa em aveludado de beterraba com lima e creme de coco. Pastel de grão e salsa. Fragmentos de aveia com geleia de arroz e canela. Almoço de hoje. 💗😋😋💗

domingo, 25 de junho de 2017

Sintra e o seu Castelo (II) 💗


Caderno Moleskine

"Há sempre um poema para escrever
nas páginas do caderno Moleskine.
E mesmo que não esteja a apetecer
neste Mundo em tão grande desatino
chateia a musa até acontecer.
Pouco importa que afine ou desafine
o que importa é que traga o verbo ser
para torcer as voltas ao destino
nas páginas do caderno Moleskine."
 
Manuel Alegre em "Nada está escrito"

"Isto filhos, a poesia e a cozinha são irmãs" (XII)

 
Caril com couscous de cebolinho e lima. Topping de legumes assados, manga e sementes. Almoço de hoje. 💗😋😋💗

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Pão

"A superfície do pão é maravilhosa primeiro por causa desta impressão quase panorâmica que dá: como se se tivesse ao dispor, sob a mão, os Alpes, o Taurus ou a Cordilheira dos Andes.
Assim pois uma massa amorfa enquanto arrota foi introduzida para nós no forno estelar, onde, endurecendo, se afeiçoou em vales, cumes, ondulações, ravinas ... E todos esses planos desde então tão nitidamente articulados, essas lajes finas em que a luz aplicadamente deita os seus lumes, - sem um olhar sequer para a flacidez ignóbil subjacente.
Esse lasso e frio subsolo que se chama o miolo tem o seu tecido semelhante ao das esponjas: folhas ou flores são aí como irmãs siamesas soldadas por todos os cotovelos ao mesmo tempo. Logo que o pão endurece essas flores murcham e contraem-se: destacam-se então umas das outras e a massa torna-se por isso friável.
Mas quebremo-la, calemo-nos: porque o pão deve ser na nossa boca menos objecto de respeito do que de refeição."

Francis Ponge em "Alguns Poemas"

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Um poema de Teixeira de Pascoaes

"Já de tanto sentir a Natureza,
de tanto a amar, com ela me confundo!
E agora, quem sou eu? Nesta incerteza,
chamo por mim. Quem me responde? O mundo."

domingo, 4 de junho de 2017

O que o jardineiro disse a Mrs Trail

" - E agora é tão pobre a poesia que publicam.
Mas nos velhos tempos não era assim,
Pois outrora foi a linguagem da dor humana,
E, na língua dos profetas, a das leis de Deus,
E, na língua dos anjos, a dessa causa
Pela qual arderam grandes almas, e os carvalhos floresceram.
Eu, que sou amigo dos amarantos, reconheço
Um bálsamo nesse nome, um bálsamo para estas praias.
Mas agora usam palavras difíceis para coisas simples,
Para as flores silvestres, e para as flores do lago.
Folha da alegria, estrela em chamas, são palavras que hoje
Pouco nos tocam, embora tenham sementes em forma de asa,
Se os pobres pecadores como eu falarem
Com Deus que humildemente pronuncia esses nomes com amor."
 
Malcolm Lowry  em "As Cantinas e Outros Poemas do Álcool e do Mar"