domingo, 28 de julho de 2013

O Dossel de Titânia

"Conheço um lugar onde floresce o tomilho silvestre,
onde primaveras e violetas pendentes crescem,
coberto por um dossel de madressilvas exuberantes,
com doces rosas almiscaradas e roseiras-bravas;
lá dorme Titânia uma parte da noite,
embalada, nessas flores, com danças e festas;
e lá a serpente troca sua pele esmaltada,
qual larga folha que possa envolver uma fada;
e com o suco disto vou esfregar-lhe os olhos
e deixá-la repleta de odiosas fantasias.
Pega um pouco dele e procura neste bosque:
uma doce dama ateniense está apaixonada
por um desdenhoso jovem; unge os olhos dele;
mas faz isso de modo que a dama seja
a próxima coisa que ele veja. Reconhecerás o homem
pelos trajes atenienses que veste.
Faze-o com algum cuidado, para que ele se mostre
mais apaixonado por ela do que ela por seu amor.
E procura encontrar-me quando o primeiro galo cantar."
 
William Shakespeare (1564-1616),
in "Sonho de uma Noite de Verão", Acto II, Cena I

sábado, 27 de julho de 2013

"Rock it For Me" - Caravan Palace

 
"Caravan Palace, a French Electro swing and Gypsy Jazz band."
Gosto da banda! E este vídeo é uma delícia! :)
Excelente para Lindy Hop!

A Ribeira

"Os rugidos do mar, a cólera das ondas, são as únicas coisas que poderão estar em consonância com os tormentos de uma alma forte, com os sentimentos de um coração generoso que se desespera com as mesquinharias da Terra; o brilho do sol, o único que pode bastar a essas almas altivas que consideram tudo pequeno e de pouco valor para deslumbrá-las; o céu - o maior dos espaços -, o curso dos astros, a eternidade do pensamento humano, esse é o porto de salvação com que sonham os que padecem, a barreira que o incrédulo trata em vão de transpor, a atmosfera, enfim, onde residem todos os ídolos e todas as ilusões do poeta."

Rosalia de Castro (1837-1885), em "A Filha do Mar"

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Odisseia de Lagerfeld




 
Charmosa esta parceria estabelecida entre Karl Lagerfeld e o Chef Joël Robuchon com o objectivo de conceber uma experiência diferente no espaço Odyssey!
De forma criativa e original o famoso estilista criou um mural inspirado nos épicos de Homero (Ilíada e Odisseia), assumindo-se este como cenário de fundo naquele que já é o terceiro restaurante de Robuchon no Hotel Métropole Monte-Carlo!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Brad Kunkle

"The Gilded Wilderness"

"Cocoon"

"Halfway"

"Islands"

"The Bee Healer"

"Reclamation"
As pinturas recentes de Brad Kunkle!
Pesquisem mais
aqui sobre o artista, bem como a técnica que utiliza nos seus trabalhos!

sábado, 20 de julho de 2013

Olive Tomato

 
Após a publicação de diversos excertos retirados de "O Colosso de Maroussi", um livro de Henry Miller dedicado à Grécia, lembrei-me de partilhar uma página que descobri recentemente!
Um projecto interessante de Helena Paravantes sobre a cozinha grega, e não só!
Deliciem-se com Olive Tomato! :)

Saturno, o "impostor estelar"

O excerto publicado no post anterior é uma autêntica pérola! Não pude deixar de sorrir perante algumas linhas deste humor saturnino, particularmente quando refere-se a Saturno como "o impostor estelar"! :))
Porque teria Henry Miller tanta aversão a este grande maléfico?
Por curiosidade, fui ver o seu mapa astrológico (podem também ver aqui) e o escritor tinha um Saturno a 29º de Virgem e 58' na casa 6! Ora, estava essencialmente peregrino!
Esta repulsa deixa-me tentada a investigar ... :)
"Saturno é um símbolo vivo de tristeza, de morbidez, de desgraça, de fatalidade. A sua tonalidade branco-leitosa desperta inevitavelmente associações com tripas, matéria cinzenta morta, órgãos vulneráveis escondidos da vista, doenças repulsivas, tubos de ensaio, espécimes de laboratório, muco, ectoplasma, sombras melancólicas, fenómenos mórbidos, guerra de íncubos e súcubos, esterilidade, anemia, indecisão, derrotismo, obstipação, antitoxinas, romances medíocres, hérnias, meningite, leis de letra morta, burocracia, condições da classe trabalhadora, oficinas que pagam salários de fome, Y.M.C.A., reuniões de Christian Endeavor, sessões espíritas, poetas como T.S. Eliot, fanáticos como Alexander Dowie, curandeiras como Mary Baker Eddy, estadistas como Chamberlain, fatalidades triviais como escorregar numa casca de banana e partir a cabeça, sonhar com melhores dias e ficar entalado entre dois camiões, afogar-se na própria banheira, matar acidentalmente o melhor amigo, morrer de soluços em vez de no campo de batalha, etc, ad infinitum. Saturno é maléfico pela força da inércia. O seu anel, que é apenas peso-leve em espessura, de acordo com os sábios, é a aliança de casamento que significa morte ou infortúnio desprovidos de todo o significado. Saturno, seja lá o que possa ser para o astrónomo, é o sinal da fatalidade sem sentido para o homem da rua. Ele transporta-o no coração porque toda a sua vida, vazia de significado como é, está envolvida por este supremo símbolo com o qual poderá contar para o liquidar se tudo o mais falhar. Saturno é vida em suspenso, menos morto do que imortal, ou seja, incapaz de morrer. Saturno é como osso morto no ouvido - mastóide duplo para a alma. Saturno é como um rolo de papel de parede, virado do avesso e lambuzado com aquela pasta catarral que os forradores de paredes acham tão indispensável para a sua profissão. Saturno é uma imensa aglomeração daquelas partículas de aspecto horroroso que uma pessoa expectora de manhã depois de ter fumado vários maços de cigarros inspiradores, revigorantes e que não causam tosse. Saturno é o adiamento manifestando-se como uma realização em si mesmo. Saturno é dúvida, perplexidade, cepticismo, factos por amor dos factos e nada de melodrama, nada de misticismo, compreende? Saturno é o suor diabólico de aprender por aprender, o nevoeiro congelado da incessante perseguição monomaníaca do que está sempre logo adiante do seu nariz. Saturno é deliciosamente melancólico porque não conhece nem reconhece nada para além da melancolia; nada na sua própria gordura. Saturno é o símbolo de todos os presságios e superstições, a prova falsa da entropia divina, falsa porque, se fosse verdade que o Universo está a diminuir, Saturno ter-se-ia derretido há muito tempo. Saturno é tão eterno como o medo e a irresolução e torna-se mais leitoso, mais turvo, a cada transigência, a cada capitulação. As almas tímidas clamam por Saturno da mesma maneira que se diz clamarem as crianças pela Lua. Saturno dá-nos apenas aquilo que pedimos, nem um grama mais. Saturno é a esperança branca da raça branca que tagarela interminavelmente sobre as maravilhas da natureza e passa o seu tempo a aniquilar a maior maravilha de todas: o Homem. Saturno é o impostor estelar fazendo-se passar pelo grande cosmocrator do Destino. Monsieur le Paris, o magarefe automático de um mundo atingido por ataraxia. Que os céus cantem a sua glória: este globo linfático de dúvida e tédio jamais cessará de projectar os seus raios branco-leitosos de melancolia exânime.
Esta é a fotografia emocional de um planeta cuja influência heterodoxa ainda se faz sentir pesadamente sobre a consciência quase extinta do homem. O espectáculo mais desanimador do firmamento. Corresponde a todas as imagens medrosas concebidas no coração do homem, é o repositório único de todo o desespero e derrota a que a espécie humana tem sucumbido desde tempos imemoriais. Tornar-se-á invisível só quando o homem o tiver expurgado da sua consciência."
 
Henry Miller em "O Colosso de Maroussi"

quinta-feira, 18 de julho de 2013

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Os Mundos Imaginários de Tristram Lansdowne









 
Gosto do surrealismo patente nestes mundos imaginários de Tristram Lansdowne
A fazer lembrar "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino!
E inspira a escrever! :)

"Wish you were here" - Bliss


 
"Creta é outra coisa. Creta é um berço, um instrumento, um tubo de ensaio vibrante no qual foi efectuada uma experiência vulcânica. Creta pode silenciar a mente, aquietar o tumultuar do pensamento."
 
Henry Miller em "O Colosso de Maroussi"

terça-feira, 16 de julho de 2013

" ... na Grécia ... cada paragem é uma pedra ao longo de um caminho assinalado pelos deuses. São estações de descanso, de oração, de meditação, de feito, de sacrifício, de transfiguração. (...) As próprias rochas, e em nenhum outro lugar da Terra foi Deus tão pródigo com elas como na Grécia,
são símbolos de vida eterna. Na Grécia as rochas são eloquentes: os homens podem morrer, mas as rochas nunca. Num lugar como Hidra, por exemplo, sabemos que quando um homem morre se torna parte da sua rocha nativa. Mas esta é uma rocha viva, uma onda de energia divina suspensa no tempo e no espaço, criando uma pausa de longa ou curta duração na infindável melodia. Hidra foi inscrita na partitura musical da criação por um hábil calígrafo. É uma daquelas pausas divinas que permitem ao músico, quando reata a melodia, avançar de novo numa direcção totalmente nova. Nesta altura, podemos muito bem deitar a bússola fora. Para avançar no sentido da criação precisamos de bússola? Depois de tocar nesta rocha perdi todo o sentido de direcção terrena. O que me aconteceu deste ponto em diante inscreve-se na natureza da progressão, não da direcção. Tinha deixado de haver uma meta para além: integrei-me no Caminho. Daí em diante, cada estação assinalava um progresso numa nova latitude e longitude espiritual."

"O Colosso de Maroussi"  de Henry Miller

História da Tipografia


sábado, 13 de julho de 2013

"Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido - tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver é um doce e fluido estado de desconhecimento das coisas e de si próprio e o único modo de vida que a um sábio convém e aquece.
Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.
A nossa personalidade deve ser indevassável, mesmo por nós próprios: daí o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que nos não seja possível ter opiniões a nosso respeito.
E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadeza ímpar. O que desloca a vulgar saudação - como está? - de ser uma indesculpável grosseria e o ser ela em geral absolutamente vã e insincera."

"Máximas" de Bernardo Soares

"I Wish I Could go Travelling Again" by Stacey Kent


sexta-feira, 12 de julho de 2013


"Star Eyes" by Massimo Urbani Quartet


"Manter a mente vazia é uma proeza, e para mais uma proeza muito saudável. Estar silencioso o dia inteiro, não ver nenhum jornal, não ouvir rádio, não escutar tagarelices, estar perfeita e completamente ocioso, perfeita e completamente indiferente ao destino do mundo é o mais excelente remédio que um homem pode administrar a si mesmo. A cultura livresca esvai-se gradualmente; os problemas fundem-se e dissolvem-se, os laços são suavemente cortados; pensar, quando nos dignamos dar-nos a esse luxo, torna-se muito primitivo; o corpo transforma-se num instrumento novo e maravilhoso; olhamos para as plantas, pedras ou peixes com olhos diferentes; perguntamo-nos o que pretendem as pessoas realizar com as suas actividades frenéticas ...
(...)
A ausência de jornais, a ausência de notícias acerca do que os homens estão a fazer em diferentes partes do mundo para tornar a vida mais suportável ou insuportável é a maior das dádivas. Se pudéssemos pura e simplesmente eliminar os jornais, estou certo de que isso constituiria um grande avanço. Os jornais engendram mentiras, ódio, ganância, inveja, desconfiança, medo, maldade. Nós não precisamos da verdade como ela nos é servida nos jornais diários. Precisamos de paz, solidão e ociosidade."
 
Henry Miller em "O Colosso de Maroussi"